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Nasce uma mãe, nasce uma culpa

#Empoderamento

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Essa semana, em uma conversa de elevador, uma amiga me disse que gostaria de ser como eu e não se sentir culpada por não estar com os filhos. Detalhe: o filho dela tem mais de 30 anos e ela tinha adiado uma visita, e os meus tem 6 e 4 anos.

Na mesma hora, eu disse que apenas fingia bem, o que é verdade, porque eu sinto todas as culpas que todas as mães sentem, apenas não me deixo levar por elas.

Passei então a pensar sobre o assunto e todas as vezes em que eu me senti muito culpada desde que me tornei mãe – não há apenas um dia em que esse sentimento nos visite.

Desde a gestação, você pode se imaginar naquela foto típica de filmes norte-americanos, com um fundo listrado, segurando uma placa de identificação – culpada se come doce, culpada se não faz exercício, culpada se não se permite, enfim – CULPADA.

Nasce o bebê, e se amamenta muito – culpada, se não amamenta – culpada, e a livre demanda?

Se trabalha e deixa o filho – culpada, se deixa de trabalhar para ficar com o filho – culpada.

Se deixa de sair para encontrar com os amigos – culpada, se deixa o filho com a avó para se divertir – culpada.

E por aí, eu poderia contar inúmeras situações em que nós, mães, nos sentimos culpadas – desde espirros e diarreias. E mesmo quando você está tomando um café tranquilinha, bem plena, aparece um ser de luz para dizer – “nossa, você sai sem sua filha?” e lá vem esse sentimento de novo.

Toda essa culpa materna passa pela cultura de que as mulheres pertencem ao ambiente privado e que somos as únicas responsáveis pelo cuidado e desenvolvimento dos outros seres humanos. Quando nos tornamos mães, para a sociedade, perdemos nossa individualidade e nos tornamos um território público para avaliação e julgamento. Mas não importa o que você faça, a sentença é sempre a mesma – culpada.

Não vou tecer teorias sobre a sociedade que ainda está longe de reconhecer o trabalho de cuidado e de respeitar a individualidade das mulheres, em especial as mães. Mas vou fazer um convite, um chamado, quase uma prece: que você mãe possa pelo menos por hoje se despir de toda a culpa, se olhar no espelho e louvar a mãe que é.

Eu sei e você sabe: você é a melhor mãe que pode. E mais que inocente, você é INCRÍVEL.

 

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Escrito por:

Raíssa Vasconcelos

Acolhimento e coragem para a luta da efetivação dos direitos das mulheres.