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Casamento: Um olhar social para a instituição

#Direito Civil#Direito da Mulher#Empoderamento

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O homem ergue sua recém esposa nos braços e atravessa a porta da casa. A mulher não tem dignidade para que seus pés toquem o chão até que seja finalizada a cerimônia. O chão é sagrado e a celebração só termina após a comunhão religiosa entre marido e mulher.

Essa é uma prática que até hoje acontece, mas poucas são as pessoas que sabem a sua origem. A instituição do casamento era um negócio jurídico. A mulher era dada pelo pai ao marido. Assim como se repassa um terno surrado que não lhe serve mais.

Era a simulação de um rapto. Ser carregada “a força” para dentro da residência significava que ali, a mulher não teria mais nenhum direito, estando sujeita à vontade do homem que sucedeu o seu pai.

A adoção do sobrenome pela mulher, estima-se, que tenha a mesma origem. A mulher precisava ser marcada. Deixa de fazer parte da sua família e deixa de ser propriedade de seu pai para, agora, ser propriedade de seu marido.

Essa simulação de rapto e adoção de sobrenome são só alguns dos comportamentos machistas que colocam a mulher em um lugar de submissão ao homem. Outra prática da época é que o casamento poderia ser anulado quando a mulher fosse estéril, todavia, quando era o homem estéril a mulher era obrigada a entregar-se ao irmão de seu marido para a reprodução obrigatória de filiação.

A família era baseada no poder do homem. A mulher não tinha sua vontade respeitada. A mulher sequer detinha algum direito. Era apenas um bem móvel. Agora, com sua titularidade em nome do marido.

Sabendo disso, hoje, reproduzir a icônica cena de entrar na residência nos braços do recém marido seria corroborar com essas e outras atitudes machistas que ainda vivem e mancham a instituição do casamento?

Trazendo para um cenário atual, em que a mulher tem presença no mercado de trabalho e é a pessoa predominantemente responsável pelos cuidados dos filhos e tarefas domésticas, devemos, nós mulheres, abdicar do conhecimento dessa informação, e propagar comportamentos machistas em prol do romantismo contemporâneo?

Ou será que nossas reflexões, mais uma vez, serão tidas como “problematizações”, enquanto tentamos incessantemente parar com práticas que nos colocavam – e ainda tentam nos colocar – em contextos de submissão?

 

Escrito por:

Thaís Marcondes

Luto por um judiciário mais humano e acessível às mulheres e crianças ♀