As violências de gênero têm se adensado e ganhado matizes na última década. No primeiro trimestre de 2026, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos1 . Dentro do recorte trimestral, este é o ano mais letal para mulheres desde que o feminicídio foi tipificado2 no Brasil, em 2015 – um aumento de 7,55% em relação a 2025.
Pesquisas apontam para uma relação de continuidade entre a violência que ocorre offline e online3 . Cerca de 8,8 milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência digital no último ano – aproximadamente 10% da população feminina de 16 anos ou mais4 . Entre os modos mais frequentes estão: envio de mensagens ameaçadoras enviadas de forma recorrente; invasão de contas e dispositivos pessoais; divulgação de mentiras nas redes sociais; criação de perfis falsos para difamação; criação de montagem com imagem ou voz para causar constrangimento, humilhação, assédio, ameaça; e divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem a autorização da vítima.
Nesse contexto, o CGI.br/NIC.BR vem desenvolvendo iniciativas voltadas ao acompanhamento de implicações do uso da Internet no tocante aos marcadores de gênero e suas interseccionalidades, a exemplo de processos de engajamento com agentes multissetoriais nas atividades do GT Diversidade e Grupos Vulnerabilizados, da Coletânea de Artigos Gênero, Raça e Diversidade como uma das principais referências no campo e do levantamento de dados pelas edições da TIC Domicílios. Destacam-se ainda a escuta com a comunidade ampliada de governança da Internet brasileira em processos que culminaram na Agenda de Gênero, Raça e Diversidade, que reuniu recomendações multissetoriais para ampliação da inclusão nas TIC, e seu Programa de Apoio à Diversidade (Resolução CGI.br/RES/2022/03219) direcionado à promoção da diversidade e da pluralidade em suas atividades.
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